<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-33340875</id><updated>2011-04-21T11:51:26.421-07:00</updated><title type='text'>Adreso_Lingüística</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://adresolinguistica.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33340875/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adresolinguistica.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Gloria Galli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08360426439920430353</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>1</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33340875.post-115651645197313892</id><published>2006-08-25T07:31:00.000-07:00</published><updated>2006-09-16T15:06:13.143-07:00</updated><title type='text'>ESTRANGEIRISMOS</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Tema: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Estrangeirismos e Empréstimos Lingüísticos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Introdução&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;    A elaboração deste trabalho objetiva-se apresentar uma resenha crítica em que se realiza um cotejo entre as idéias do deputado membro do PC do B, Aldo Rebelo apresentadas no Projeto de Lei nº1676 de 1999 e as idéias de dois lingüístas acerca dos estrangeirismos, ou sejam: Marcos Bagno e ............Pedro M.Garcez/Ana Maria S.Zilles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para elaborar a resenha crítica, foi necessário ignorar os motivos que teriam levado o deputado a apresentar o projeto de lei acima citado e, realizar um embasamento teórico, dentro de uma visão diacrônica(1) da língua, ou seja, num caminho  que é chamado de gênese lingüística, embora uma passagem muito rápida pela história da língua portuguesa no Brasil, mas foi o suficiente para sustentar um argumento  crítico diante da questão proposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt;Projeto de Lei proíbe o uso de estrangeirismos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;    O projeto de lei, apresentado pelo deputado Aldo Rabel,  aprovado em março de 2001 na Câmara dos Deputados, intitulado "Culta, Bela e Ultrajada: um projeto em defesa da língua portuguesa", apresentado pelo deputado Aldo Rabelo, restringe o uso de palavras estrangeiras e obriga o uso da língua portuguesa aos brasileiros natos e naturalizados e estrangeiros há mais de um ano. O projeto se alonga um pouco mais e se estende à regência de ensino, aprendizagem, trabalho, relações jurídicas, ao uso da norma culta, aportuguesamento de vocábulos de origem estrangeira, enfim, entre outros procedimentos: restringe, traça normas para o falar e para o falante.&lt;br /&gt;Em paraleto, o projeto visa também melhorar as condições de ensino da língua portuguesa no Brasil, incentivando o estudo e pesquisa e maior conscientização dos processos normativos. Quanto aos estrangeirismos,  o deputado cita,  que está tratando o caso com generosidade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;              &lt;span style="font-size:100%;"&gt;"conscientizar a nação de que é preciso agir em prol da língua pátria, mas sem    xonofobia  ou intolerância de                                             nenhuma espécie. É preciso agir com espírito de abertura   e criatividade para enfrentar - com conhecimento,                                                         sensibilidade e altivez - a inevitável,    e claro indesejável, interpretação cultural que marca o nosso tempo globalizante." (palavras do deputado)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt; O deputado propõe como prática abusiva o uso de expressão estrangeira, quando houver uma equivalente em língua portuguesa, além de estabelecer sanções: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;prática enganosa&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;, se a expressão levar alguma pessoa a erro ou ilusão de qualquer espécie e &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;dano ao patrimônio cultural &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;se a palavra ou expressão descaracterizar algum elemento da cultura brasileira.&lt;br /&gt;A partir da data da publicação, há um prazo de 90 dias esses vocábulos estrangeiros terão que serem substituídos pelos equivalentes em português.  Quanto aos vocábulos contidos na literatura científica e técnica (fato que causou grande polêmica), segundo Rabelo, deveriam ser aportuguesados para "adquirir a feição e a sonoridade de um verso de Camões".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A resposta do lingüista Marcos Bagno&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;    Em capítulo especial intitulado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cassandra, Fênix e outros mitos &lt;/span&gt;(in:FARACO,2001), o lingüista Marcos Bagno responde ao projeto, compreendendo que o deputado se refere  precisamente a palavras de origem inglesa aos usar o termo estrangeirismos, e que no entanto, o Brasil necessita de uma política lingüística coerente e consistente e não atitudes bem-intencionadas que se inspiram em mitos e superstições.&lt;br /&gt; No entanto, o grande rombo causado pelo deputado, é ignorar as condições retrógadas da Academia Brasileira de Letras, revelando assim desconhecimento dos assuntos lingüísticos no país.  - Ao contrário, se o deputado tivesse consultado a Associação Brasileira de Lingüística, que reúne cientistas, pesquisadores, professores e outras competências, não teria citado no seu texto como "um dos nossos maiores lingïstas" o professor Napoleão Mendes de Almeida, aquele, que durante décadas dizia "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É português estropiado que no Brasil se fala&lt;/span&gt;", "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;língua de cozinheiras, babás, engraxates, trombadinhas, vagabundos, criminosos", &lt;/span&gt;revelando assim, uma visão autoritária, preconceituosa e retrógrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Partindo do princípio que a língua além de ser um elemento da individualidade particular de cada cidadão  é também um fenômeno histórico-social, é muita violência querer indiciar e punir   aqueles que se valem de expressões estrangeiras. A língua, antes de mais nada serve de  comunicação do indivíduo consigo mesmo, é o veículo do pensamento: querer comer num &lt;span style="font-style: italic;"&gt;self-service, &lt;/span&gt;viajar de&lt;span style="font-style: italic;"&gt; van&lt;/span&gt;, esperar pelo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;coffee-break&lt;/span&gt;.. O "Diretório dos Índios" do Marquês de Pombal, em 1757, proibiu o uso da chamada &lt;span style="font-style: italic;"&gt;língua geral&lt;/span&gt; ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;nheengatu&lt;/span&gt;, língua corrente, a mais falada até o século XVII. - Isso foi uma violência, foi um corte do povo brasileiro com seus ancestrais. Portanto, é inútil tentar legislar sobre o direito do expressar individual de cada indivíduo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Na verdade sempre houve a resistência aos estrangeirismos. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O manifesto do Sr. Durval Noronha, em 1998, publicando um livro contra os anglicismos que entravam escandalosamente na língua.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; Arnaldo Niskier, o então presidente da ABL, em 1998, em artigo publicado na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Folha de S.Paulo&lt;/span&gt;, manifestou que os estrangeirismos estavam deturpando &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o idioma&lt;/span&gt; de Rui Barbosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Contra o francês, entre outros,  publicaram artigos: O escritor Almeida Garret (1799-1854) revelou seu o descontentamento, Cardeal Saraiva, em 1826, publicou uma obra contra a invasão de termos franceses, José Agostinho de Macedo (1761-1831) também já falava da peste francesa, Cândido de Figueiredo grita contra a malária francesa, também Afonso Lopes Vieira (1878-1946), reclamava que não havia mais linguagem portuguesa.&lt;br /&gt; O jornalista Marcos de Castro, em 1998, publicou artigo dizendo que o português do Brasil caminhava para a desgradação.  O jornalista  Eduardo Martins, autor do Manual de Redaão de O Estado de S. Paulo, declarou que só índio fala "para mim fazer" -- !! &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Em 2000, a professora Marilene Felinto, num artigo na Folha de S.Paulo, disse que o português falado no Brasil não tinhga lógica, nem gramática. Ora, não há língua falada sem lógica e sem gramática.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;  Em paralelo, tem-se em Portugal reclamação semelhante - que o brasileiro esteja estragando o idioma porltuguês. Um artigo publicado em 1983 diz " Estão a assassinar o português  - os vilões são as telenovelas brasileiras.&lt;br /&gt;  Agora, no Brasil o invasor  é mesmo o inglês, assim como antes foi o francês. Então, de tudo isso, depreende-se que estão tentando assassinar a língua desde os tempos coloniais, sem que tenha morrido em tempo algum, ou terá sido uma fênix, que renasce das cinzas de tempos em tempos?&lt;br /&gt;É nesse sentido que o lingüista, Marcos Bagno, fala em falsas Cassandras( ), fênix e outros mitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos têm medo da morte&lt;br /&gt;  Esse sentimento de medo de que a língua materna possa entrar em colapso não ocorre apenas no Brasil: a lingüista Jean Aitchison publicou um artigo dizendo entre outras expressões que "A língua que o mundo implora por aprender es´ta doente em seu próprio país" "(...) Oh, por favor, amantes do inflês de todo o mundo, façam algo pela língua. Vamos deter essa queda precipitada ladeira abaixo..." Também em 1908, o escritor Thomas Lounsbury manifestava que a língua inglesa estava próxima à do colapso, precisava salvá-la, etc,etc.&lt;br /&gt;  Na França não foi diferente. O exemplo se faz  com Marina Yaguello: " France, ton français fout le camp! ("França, teu francês está dando o fora!"). No final do século XX, está difundida a idéia de que a língua francesa está se degenerando. Para a lingüista e/ou qualquer lingüista,  a língua não fica velha nem é jovem. Com o passar do tempo há um equilíbrio entre perdas e ganhos e esse medo das perdas das suas características é um disfarce do medo ancestral da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preconceito do "falar" e "ser"&lt;br /&gt;   Existe um preconceito de caráter aristocrático, muito antigo, entre aquilo que os gramáticos latinos chamavam de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;consensus bonorum&lt;/span&gt;  e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;consensus eruditorum&lt;/span&gt;: pessoas de bem, corretas, honestas e idôneas so podem exprimir-se por conseqüência de seu caráter, numa língua correta, límpida, bonita e elegante.  -- se fala errado, é porque pensa errado. Bagno argumenta que o deputado segue essa linha de raciocínio.&lt;br /&gt;  " A língua muda porque a socieade muda" (David Crystal). Para ele, o equilíbrio é a palavra chave. Metaforisando o conceito de língua ele diz: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;um sistema que se mantém num estado de equilíbrio, enquanto as mudanças ocorrem em seu interior&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bagno: significante X significado&lt;br /&gt;Um argumento muito interessante de Bagno foi o exemplo de que um camponês não poderia entender o significado de&lt;span style="font-style: italic;"&gt; printar &lt;/span&gt;por ser&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;um termo invasor, inglês. Mas ele entenderia o significado de&lt;span style="font-style: italic;"&gt; imprimir&lt;/span&gt;? - também não, não? Conclusão: a compreensão de uma palavra nada tem a ver com a sua etmologia e sim, com a coisa que ela significa, com a parte do signo lingüístico que representa o significado. Pode ser a pessoa mais bem informada, mas se o termo não fizer parte do seu universo de referência, ela não saberá o que isso sifnifica.  Bagno pergunta quem saberá o que significa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;estai da mezena do joanete, a sobregatinha, a giba, a ostaga e a draiva. &lt;/span&gt;Quem entenderá isso sem conhecer o mundo dos navios a vela? Esses termos soam para muita gente como os estrangeirismos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;download, delete, insert, reset&lt;/span&gt;, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estrangeirismos não alteram a gramática&lt;br /&gt;  Estrangeirismos não alteram a estrutura da gramática. Um exemplo: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O office-boy flertava com a baby-sitter no hall do shopping-center. &lt;/span&gt;Os substantivos são todos de origem inglesa. A raiz do verbo flertar também. A desinência do verbo, as preposições, os artigos, a sintaxe e a morfologia são portuguesas. A ordem das palavras seguem o critério de linearidade da nossa estrutura lingüística: sujeito, depois verbo, depois objeto, depois os adjuntos adverbiais.  Entende-se com isso que os estrangeirismos afetam somente o nível mais superficial da língua que é o léxico. Além do que a pronúncia dessas palavras seguem o sistema fonético do português brasileiro, ou sejam, são tratadas como se não fossem estrangeiras. Por exemplo, a palavra &lt;span style="font-style: italic;"&gt;e-mail.  &lt;/span&gt;Na pronúncia brasileira,  ou  ela é trissílaba&lt;span style="font-style: italic;"&gt; i-mey-yu&lt;/span&gt;  ou  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;emêiu&lt;/span&gt;  ou  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;imêiu&lt;/span&gt;, dificilmente ela será dissílaba como no inglês &lt;span style="font-style: italic;"&gt;i-mél.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Esdruxulismos&lt;br /&gt;   Muito estranho é o preconceito quando chega ao ponto de substituir o termo estrangeiro por palavras "castiças". &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mouse&lt;/span&gt; por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;rato, slide &lt;/span&gt;por&lt;span style="font-style: italic;"&gt; diapositivo. &lt;/span&gt;No entanto&lt;span style="font-style: italic;"&gt;, &lt;/span&gt;para nós, brasileiros, o vocábulo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tela&lt;/span&gt; é para os portugueses &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ecrã, &lt;/span&gt;uma variação do francês&lt;span style="font-style: italic;"&gt; écran.  &lt;/span&gt;Também palavras portuguesas se infiltraram no francês e no inglês:&lt;span style="font-style: italic;"&gt; cobra &lt;/span&gt;e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;auto-de-fé,&lt;/span&gt; a primeira significando uma espécie de cobra, a ninja e a segunda, um ritual do tribunal de inquisição. Enfim,  há inúmeros casos e cada palavra tem a sua história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada época, - um costume.&lt;br /&gt;É importante observar  que os textos bíblicos não foram escritos em grego. Poderiam ter sido escritos na língua tradicional, ou em aramaico, ou latim, língua oficial do império ao qual estavam submetidos. Mas, foi escrito em grego porque o grego era a língua de cultura. Para que uma mensagem alcançasse maior número de ouvintes teria que ser escrita em grego. Não é isso que acontece com o inglês hoje? Se hoje, um cientista fizer uma grande descoberta e escrevê-la somente na sua língua materna, o seu trabalho será pouquíssimo conhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época das grandes descobertas, muitos termos portugueses  se alastraram por vários países : feitiço(para o francês), tanque(para o inglês), barroco(para toda Europa), &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;pão(deu origem a&lt;span style="font-style: italic;"&gt; pan&lt;/span&gt;, japonês) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;arigatô&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;, do japonês, veio de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;obrigado&lt;/span&gt;, do português. Caju(palavra indígena que muitas línguas acolheram)e também os portugueses trouxeram consigo muitos termos para a língua portuguesa: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;banana, boate, clube, balé, boné, hotel, futebol, tricô, crochê, suflê, butique, batom, garcçom, ruge, judô, ópera, abajur, ioga, túnel, trem, avião, menu, restaurante, debutante, golfe, iate&lt;/span&gt;, etc,etc.  Palavras como: carnê, cupom, tiquete, étagère, são conhecidas de qualquer brasileiro. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jangada, &lt;/span&gt;termo comun na terra do deputado, é de origem malaia. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Líder&lt;/span&gt; é inglesa; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;comitê&lt;/span&gt;, francesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passa e as palavras se vão...&lt;br /&gt;É muito difícil hoje dizer que uma mulher está com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bandô&lt;/span&gt; no cabelo. Que homem veste um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;redingot&lt;/span&gt;e? Quando as pessoas deixam de usar uma coisa, elas deixam também de usar a palavra que representava essa coisa.  Deduz-se, que impedir a disseminação dos termos ingleses de informática seria preciso deixar de importar os equipamentos? Hoje, o intercâmbio é muito grande e não é com legislação que se vai controlar a importação de termos estrangeiros. A língua não existe sozinha. Ela acompanha a necessidade do falante de se comunicar com quem ele deseja e como ele deseja.  Se a globalização tem males, eles devem ser discutidos em outros âmbitos, não no lingüístico, que é o mais inofensivo de todos eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bagno diz que quem tem que ser defendido é o falante da língua.&lt;br /&gt;   O final do capítulo do Bagno termina com uma colocação muito nacionalista - quem precisa ser defendido é o falante do português brasileiro (e não sua língua). Fala da grande injustiça social brasileira,  da grandeconcentração de propriedade fundiária de todo o mundo, da qualidade péssima do sistema educacional que envolve criança e jovem como um dos  piores do mundo,  igualmente com sistema de saúde, das condições péssimas de trabalho dos professores, da situação dos cientistas que precisam mendigar verbas , da  corrupção na mais alta esfera federal e termina pedindo que &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; deixem a língua em paz. Acrescenta &lt;span style="font-style: italic;"&gt; ok &lt;/span&gt;.-- ok?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;cadeira de estudante/&lt;br /&gt;ESTRANGEIRISMOS&lt;br /&gt;Antes de analisar os  dois argumentos apresentados em relação a estrangeirismos, contidos na obra de Carlos Alberto Faraco, já se pode tomar uma posição crítica considerando os estudos de Nelly Carvalho, na sua obra &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;Empréstimos Lingüísticos.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;     A questão &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;estrangeirismo&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;, como uma questão lingüística:  é correto ou não entrar para o &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;acervo lexical*(1)&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; de uma língua? Para responder a questão,  é preciso antes disso, voltar na história, analisar a língua numa visão diacrônica, reconhecer e/ou entender o seu acervo lexical.&lt;br /&gt;Somente dentro dessa visão, sabe-se, se houve criação de termos vernáculos e a adoção de termos estrangeiros.  Se houve a adoção, quando foi? Foi &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;ao longo da sua história&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;, ou somente uma vez? Por que esses termos entraram? Saussure, o lingüista genebriano dizia que a língua deve ser estudada tendo em vista a &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;sincronia(3)&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; e a &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;diacronia(4)&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;.&lt;br /&gt;O nativo de uma língua percebe nela os arcaísmos, isto é, termos que já estão ultrapassados, os neologismos, termos novos, de criação recente e os estrangeirismos, palavras de língua estrangeira que passam a ser adotados. Portanto, olhando a questão pelo lado da língua portuguesa, entende-se como acervo lexical o conjunto de vocábulos a partir do &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;latim vulgar&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;(para alguns, já uma língua estrangeira). A base da língua portuguesa está no &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;romance lusitano&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;, é aí, que se enconta o padrão fonético e morfológico do português.&lt;br /&gt;Entende-se por latim vulgar ou popular, aquele que não era o clássico, isto é, que não era a modalidade dos escritos de Horácio e Virgílio. Essa observação é acrescentada somente para se lembrar que a norma culta, ou seja, a norma padrão da nossa língua partiu de uma língua oral, falada e falada pelos não cultos. Embora termos clássicos estejam também presentes e em grande parte, na língua portuguesa fazendo parte da linguagem mais elaborada, são poucos, mas existem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro da visão diacrônica e, retomando termos pré-romanos, encontra-se como &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;substrato*(2) &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;dos &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt;íberos&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; e &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt;celtas&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;:  balsa, manteiga, arroio; termos &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt;bascos&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;: esquerdo, bezerro, cachorro e zorra. Do &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;superstrato&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;(3), restam elementos como: luva, elmo, roubar, guerra. Os germânicos são aqueles que foram substituídos o &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;w&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; inicial por &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;gr&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; ( werra -&gt; guerra). Os pontos cardeais também são germânicos: Norte, Sul, Leste, Oeste. Do &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;adstrato&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;(4), restam do árabe: ágebra, xarope, zero, chafariz, álcool, alfaiate, alfinete, arrais, alface, bairro, aldeia,etc*&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;5).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   A partir da Idade Média foram introduzidos elementos de outras línguas européias: os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;galicismos medievais&lt;/span&gt; vieram tanto do norte (francês propriamente dito), quanto  do sul (provençal): jogral, trovado, linhagem, viagem. Em conseqüência disso, o rei de Portugal, em 1255, D. Afonso III, impõe as grafias &lt;span style="font-style: italic;"&gt;nh&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;lh&lt;/span&gt; como representação das palatais.&lt;br /&gt;Enquanto a França foi modelo de língua para toda a Europa, outras palavras restaram: dama, chaneler, jóia, blusa, envelope, chaminé, maré. Os termos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;espanhóis&lt;/span&gt; nem sempre são identificáveis, pela semelhança entre as duas línguas. No entanto  temos: lhano, fandango, tango, hediondo, velar, novilho, castanhola, bobo, saleiro, airoso. Do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;italiano&lt;/span&gt;, temos entre outros: piloto, prova, escolha, amainar. Na poesia e música , foi maior a contribuição: soneto, terceto, alegro, andante, caliente. Na arquitetura: mezanino, pedestral, pilastra. No teatro: colombina, arlequim, vedeta, favorito. Artes: caricatura, azul ticiano. Na culinária: nhoque, macarrão, talharim, risoto, lasanha, mortadela, ricota,etc. Outras línguas tiveram influência menores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo intercâmbio cultural e político, o português sofreu influência de línguas não-latinas: Do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;alemão&lt;/span&gt; moderno: quartzo, gnaisse, cobalto, hinterlândia, kaiser. Do holandês: quermesse. Da Escandinávia: níquel, fiorde e sauna. Do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;flamengo belga&lt;/span&gt;: spa(estação termal). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Russos&lt;/span&gt;: czar(césar), estrogonofe, esputinique, inteligentsia, perestroika e galsnost. Do húngaro: as xardas(música); da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Polônia&lt;/span&gt;, as polcas. Mas a grande contribuição vem do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ingles, os anglicismos&lt;/span&gt;.  No início, os vocábulos foram introduzidos pela grande inflência da Inglaterra sobre Portugal: bife, rosbife, lanche, vagão, pudim, túnel, rum, esportes, etc. Mais tarde, os anglicismos passaram a vir do inglês americano: videoteipe, biônico, cartum, software, hardware, drive, deletar, etc.. É importante observar, que atualmente os anglicismos entram para o português com facilidade no Brasil, mas não ocorre o mesmo em Portugal. Isto se dá pela enorme influência que os EUA exercem sobre nosso país. Muitos termos entram para o português (ptbr), sem sofrer as alterações pela estrutura lingüística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podemos  deixar de citar vocábulos que entraram no português por ocasião do descobrimento, pelos contatos com povos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;asiáticos, africanos e americanos&lt;/span&gt; que entraram diretamente ao léxico, por serem totalmente desconhecidos: da Ásia: nanquim, chávena, chá, tufão, biombo, bonzo, gueixa, bule, junco, orangotango, sarongue, manga, jaca, canja, aljôfar, limão, cahimbo, cáqui. Da África: banana, zebra, cacimba, batuque, girafa. Da América Espanhola: chocolate, xícara, lhama, cacau, tomate, canoa, condor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, entende-se que a maioria das palavras que usamos nas conversações mais simples contém uma quantidade enorme de vocábulos estrangeiros. As estruturas fonológica e morfológica, pelas quais, hoje, os estrangeirismos passam, para serem adaptados à vocábulos da  nossa língua, foram criadas a partir do latim vulgar, não foi genuínamente brasileiro.  -- Nada numa língua é genuinamente nacional, se parte-se para o estudo de sua gênese lingüística. Podendo então afirmar com certeza que todo léxico vive em expansão permanente e toda língua é constituída de duas partes:&lt;br /&gt;- do universo lingüístico, formado por elementos internos, responsáveis pela estrutura e organização dessa língua;&lt;br /&gt;- e do universo extralingüístico, formado pelo léxico, nomeando as coisas, revelando significados, portanto aberto pela própria necessidade de expressão do ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo que foi exposto, pode-se entender a razão dos "empréstimos lingüísticos" (borrowing) -  palavras que contribuem para a inevitável mudança de uma língua, sem com isso descaracterizá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como pode-se impedir a entrada de nomes do inglês americano que acompanham os aparelhos eletrônicos, peças, tecnologia, resultados de pesquisas, etc, etc.? - Alguns deles não encontram na  língua ptbr significado, a não ser a partir da entrada do objeto ou acontecimento; assim como nos EUA não havia significado nem significante para caipirinha. -- e eles dizem 'kaipiriinha'... 'páw de keijow' (!!). Então, há necessidade de analisar a questão com mais atenção, antes de tomar posições radicais diante de questões lingüísticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Definição de alguns termos&lt;br /&gt;(1) diacrônica -&lt;br /&gt;(1) acervo lexical&lt;br /&gt;inventário completo dos vocábulos existentes numa língua.&lt;br /&gt;(2) substrato lingüístico&lt;br /&gt;termos sobreviventes numa língua, resultantes da língua dominada, existentes anteriormente.&lt;br /&gt;(3) superstrato&lt;br /&gt;referem-se a objetos e costumes de guerra.&lt;br /&gt;(4)adstrato&lt;br /&gt;termos adotados durante a longa invação árabe na Península.&lt;br /&gt;(5) &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;al &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- artigo árabe&lt;br /&gt;a maioria dos termos árabes começam com &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;al, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;artigo árabe como fazendo parte do termo:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt; al+ zait&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; = azeite; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;al+ ruz&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; = arroz&lt;br /&gt;( ) Cassanda, na mitologia grega, foi uma bela troiana que havia recebido dos deuses uma bênção e uma maldição. Tinha o dom da vidência, mas ninguém acreditava em suas previsões.  Ela foi zombada quando avisou os troianos que o perigo estava contido dentro do cavalo de madeira oferecido pelos gregos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BIBLIOGRAFIA CONSULTADA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GARCEZ,Pedro M.,ZILLES,Ana Maria S. Estrangeirismos: desejos e ameaças. In: FARACO,Carlos Alberto(org.) Estrangeirismos:guerras em torno da língua. São Paulo:Parábola,2001,p.15-36.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BAGNO,Marcos.Cassandra, Fênix e outros mitos. In:FARACO,Carlos Alberto (org.).Estrangeirismos: guerras em torno da língua. São Paulo:Parábola,2001,p.49-83.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EMPRÉSTIMOS LINGÜÍSTICOS&lt;br /&gt;CARVALHO,Nelly.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt; Empréstimos Lingüísticos&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;. São Paulo:Ática,1989&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Projeto de Lei n°1676 de 1999, deputado Aldo Rebelo do PC do B&lt;br /&gt;http://www.comciencia.br&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33340875-115651645197313892?l=adresolinguistica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adresolinguistica.blogspot.com/feeds/115651645197313892/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33340875&amp;postID=115651645197313892' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33340875/posts/default/115651645197313892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33340875/posts/default/115651645197313892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adresolinguistica.blogspot.com/2006/08/estrangeirismos.html' title='ESTRANGEIRISMOS'/><author><name>Gloria Galli</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08360426439920430353</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
